Fazer cerveja caseira é um hobby que está crescendo muito no Brasil. Lembro-me que há 3 anos, quando comecei a produzir, falar para um amigo que eu produzia em casa era quase que como se eu falasse que criava porcos e galinhas no corredor da minha casa. As pessoas achavam que era brincadeira. Hoje é comum as pessoas terem algum conhecido ou familiar que faz cerveja em casa, e cada vez mais se tem notícias de novos cursos, novas lojas online.

Tudo isso ficou mais claro na cabeça das pessoas, e hoje sou quase uma pessoa normal. Mas algumas dúvida ficam no ar sempre e, por isso, resolvi esclarecer as dúvidas mais elementares sobre cerveja caseira.

1 – Fica boa mesmo?
Tudo vai depender de como foi feita, do conhecimento do cervejeiro e do cuidado que ele tem. Com bons insumos (algo que encontramos no Brasil) e conhecimento, os cervejeiros tem ótimos resultados em casa, muitas vezes superando as versões comerciais. Claro, muitas levas ficam ruins, bem como receitas mal formuladas geram resultados fracos. Mas vamos combinar, toda cerveja comercial é boa? A grande vantagem do caseiro é produzir em pequena escala e, por isso, poder inventar.

2 – Como é que você colocou a tampinha?
Essa dúvida, por incrível que pareça, é a mais comum. Bem, compra-se a tampinha “virgem”, coloca ela em cima da garrafa e, com uma máquina própria para isto, faz-se a pressão e a tampa veda a garrafa. É algo bem simples.

3 – Como se coloca gás na cerveja?
Depois de perceber que a tampinha não é mistério, vem a pergunta: como você colocou o gás? Bem, é simples. Você insere a cerveja sem gás na garrafa e adiciona açucar e levedura. Assim, acontece uma segunda carbonatação e é gerado álcool e CO2. Pronto, feito o gás da cerveja! Uma outra solução é a carbonatação forçada, mais comum nas indústrias, em que o CO2 é inserido diretamente na cerveja durante o envase.

4 – Estraga rápido né?
Não, não estraga. Cerveja caseira, quando refermentada na garrafa, costuma ter um tempo de vida muito grande se for guardada em condições adequadas. De uma maneira geral, ela tem uma vida útil maior do que as cervejas comerciais. Se for mais alcoólica, muitas vezes a guarda ainda vai beneficiar a cerveja.

5 – Como você coloca o álcool na cerveja?
Simples, vou ao mercado, pego uma garrafa branca de tampinha azul e jogo no preparo de malte e lúpulo. Certo? Claro que não! O processo de fermentação, como já foi dito, gera álcool e CO2. Assim, quanto mais açúcar fermentável tiver no mosto cervejeiro, maior teor alcóolico terá a cerveja ao final da fermentação.

E aí, tem mais alguma dúvida? Se tiverem, é só dizer aí que eu respondo :)

 

Bernardo Couto, jornalista e cervejeiro caseiro é o criador do portal Homini Lúpulo. Fã de cervejas muito lupuladas e extremas, ele vem se encantando com as delicadas e maravilhosas cervejas belgas. Seus estilos preferidos são: IPA, Imperial Stout e Quadruppel.