Nossa reunião de julho contou principalmente com cervejas Mikkeller – cervejaria baseada na Dinamarca. Eles tem uma atitude peculiar (e até onde sei, pioneira): os cervejeiros tem como prática comum fazer cervejas colaborativas nas cervejarias de terceiros, ou seja, são nômades cervejeiros! Muitas vezes a cerveja nem é colaborativa, eles apenas “alugam” os equipamentos e ali produzem sua leva de cervejas. E não há barreiras continentais, fazem cerveja do leste europeu aos Estados Unidos. Há boatos que logo chegam alguns exemplares no Brasil, estamos torcendo! Nesta reunião também tivemos uma grata surpresa, recebemos a visita dos amigos Marcelo Cury e Diego Cartier, os Bom Vivants da Playboy.
Mas vamos ao que interessa:
Começamos pela Mikkeller Ultramate de 1000 IBUs! IBU é a unidade de medida de amargor, numa escala que vai de 0 a 100 normalmente. Para você ter uma ideia, as comerciais leves das grandes cervejarias possuem cerca de 15 IBUs. Esta aqui é uma cerveja aromática e muito, mas muito amarga!
Seguindo, a colaborativa entre a Mikkeller e a americana Stillwaters, uma Saison. Essa cerveja era produzida no inverno para ser consumida no verão pelo “dono da terra”, daí ser chamada também de farmhouse ale.
Uma cerveja muito floral no aroma com um toque de azedo e notas terrosas. Esta, além de colaborativa no feitio, foi trazida pelo colaborador da noite, Cury.
Aliás, falando no Cury, fizemos um brinde pra ele que vai ser pai de novo e também pro querido Rodrigo – confrade e dono da Cervejaria Invicta – que foi pai recentemente!
Um merecido “cheers” com a melhor Brut do mundo!
Voltando às Mikkellers, provamos uma cerveja que muita gente pode simpatizar facilmente:
Draft Bear, uma Imperial Pilsner bem lupulada, com uma boa carga de malte, mas com o fermento utilizado em pilsners “normais”. Foi bacana esta cerveja entrar neste momento, pois “zerou” nossos instintos pra recomeçarmos com toda força.
A cerveja seguinte, muito inusitada, é chamada de Nelson Sauvin Brut (leia-se Nelson Saúvãm). Nelson Sauvin é uma variedade de lúpulo neozelandês e nesta cerveja só foi utilizado esta variedade.
Esta cerveja também conta com o fermento brettanomyces (para os iniciados, o mesmo fermento da Orval) e leveduras de champanhe, tudo fermentado em barris de vinho branco. Muito aromática e saborosa, a sua alta carbonatação (gás na cerveja que forma a espuma) ajuda a você querer o próximo gole com facilidade, apesar de seus potentes 9% de álcool.
Passamos então para a Elliot Brew, outro belo exemplar de cerveja colaborativa agora entre a Mikkeller e a De Struise (cervejaria belga que fabrica as excepcionais Black Albert e Pannepot, por exemplo).
Uma Imperial IPA de 9% de álcool que ultrapassa os 150 IBUs (lembra dos IBUs citados lá no começo?). Aroma muito lupulado, chegando a lembrar grama e sabor licoroso também de lúpulos. Excelente pedida para o pessoal que assim como eu, adora lúpulo!
Apontando já para os “finalmentes”, chegamos nas cervejas pesadas!
Primeiro uma Barley Wine envelhecida em barril de vinho tinto e com potentes 12% de álcool! Uma explosão de sabores e aromas digna de repetição!
Estas cervejas mais fortes e envelhecidas em barris são típicas da Mikkeller. Estilo forte tal como a Barley Wine e a Imperial Stouts.
Ambas são Imperial Stout. Ambas possuem 13,1% de álcool. Mas uma (rótulo vermelho) foi maturada em barris de vinho tinto e a outra não. Fazem parte da chamada “black hole series” e tem várias maturações diferentes, de barril de tequila a barril de vinho branco, todas excepcionais!
Já prestes a terminar nossa reunião, depois de muita cerveja boa e papos dignos de serem gravados, chegamos a uma cerveja também trazida pelo Cury de dar inveja a qualquer ser vivo:
Terra Incognita Savor 2012. Savor (saborear em inglês) foi um evento que aconteceu nos Estados Unidos e reuniu cervejeiros e chefs da gastronomia para celebrarem a harmonização. Se você costuma assistir a série Mestres Cervejeiros do canal Discovery, deve ter visto a edição 2011 lá.
A cerveja é uma Sour Ale (estilo composto por cervejas azedas e pouco ácidas) seca e saborosa. Não estará disponível no mercado, afinal só era vendida no evento. Um prazer inigualável colocar essa beleza na boca!
Pra encerrar, fizemos uma comparação entre duas Imperial IPA da Dogfish Head: a 120 minutes.
Cury trouxe uma fresca, de junho de 2012 e eu uma “menos fresca” de fevereiro de 2012.
Impressionante a diferença! Apesar de o próprio rótulo informar que você pode e deve envelhecer esta cerveja, quanto mais fresca, melhor. Anteriormente eu já havia provado uma de 2008 e parecia muito mais uma Barley Wine do que uma Imperial IPA. Mas voltando, os 4 meses fazem muita diferença, demonstrado que frescor é tudo pra uma boa lupulada!
E foi isso: reunião entre amigos, piadas, discussões efervescentes e muita cerveja boa para provar! Recomendado sempre em altas doses! Obrigado aos Bom Vivants pela presença, saúde!
Fabrício Santos é empresário, escritor do blog FullPintBR e um dos fundadores da Confraria ConfraBacon. Está aqui pra falar de cerveja, amigos, mais cerveja, mais amigos e por aí vai.












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Fiquei com água na boca !!! Muito bom !!
Obrigado Marcelo! Junte os amigos e montem uma Confraria também!